Casal Nardoni, que pode voltar à prisão, cumpriu pena no ‘presídio dos famosos’ em Tremembé; relembre
Caso Isabella Nardoni Reprodução/Arquivo/TV Globo Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, condenados pela morte de Isabella Nardoni, passaram anos no compl...
Caso Isabella Nardoni Reprodução/Arquivo/TV Globo Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, condenados pela morte de Isabella Nardoni, passaram anos no complexo penitenciário de Tremembé (SP), conhecido como o “presídio dos famosos” por receber presos de casos de grande repercussão. Agora, mais de uma década após o crime, o casal que está em liberdade pode voltar à prisão, isso porque o Superior Tribunal de Justiça (STJ) começou a julgar nesta quinta-feira (27) um recurso que questiona o cumprimento das regras do regime aberto. O casal deixou as penitenciárias de Tremembé após conseguir progressões de regime. Jatobá passou ao regime aberto em 2023, enquanto Nardoni obteve o mesmo benefício em 2024. Atualmente, os dois cumprem pena em liberdade e residem na capital paulista. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp O recurso analisado pelo STJ questiona justamente o cumprimento das regras impostas pela Justiça para a permanência deles no regime aberto. A ação foi apresentada por uma associação, que afirma ter reunido mais de 2 mil assinaturas em um abaixo-assinado pela volta dos dois à prisão - leia mais aqui. Até que o caso seja julgado, os dois seguem em liberdade. Agora no g1 A análise para a possível volta à cadeia acontece em um momento de mudança no sistema prisional de Tremembé (SP). Durante anos, o complexo ficou conhecido como o “presídio dos famosos”, por receber nomes como Alexandre Nardoni, Suzane von Richthofen, Daniel e Cristian Cravinhos e Elize Matsunaga. Mais recentemente, a unidade também recebeu o ex-jogador Robinho e o empresário Thiago Brennand. Agora, esse perfil está chegando ao fim. O governo de São Paulo decidiu transferir os presos da P2 e fazer com que a unidade passe a receber apenas detentos do regime semiaberto. O destino dos presos transferidos de Tremembé foi definido como a Penitenciária 2 de Potim, também no Vale do Paraíba. Alexandre e Anna Carolina foram presos em 2008, ano em que Isabella Nardoni, então com cinco anos, morreu após ser jogada da janela do sexto andar do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo. Segundo a acusação, a menina foi agredida dentro do apartamento antes de ser lançada pela janela. Os dois sempre negaram o crime e sustentaram que uma terceira pessoa teria entrado no imóvel e cometido o assassinato. Em março de 2010, Alexandre foi condenado a 31 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado. Anna Carolina recebeu pena de 26 anos de reclusão pelo mesmo crime. Alexandre cumpriu parte da pena na P2 de Tremembé. Em 2019, passou ao regime semiaberto e começou a ter direito às saídas temporárias. Em maio de 2024, a Justiça concedeu a progressão para o regime aberto, e ele deixou a unidade após cerca de 16 anos preso. Anna Carolina ficou na P1 feminina de Tremembé. Em 2017, passou ao semiaberto e também passou a ter direito às saídas temporárias. Em junho de 2023, conseguiu a progressão para o regime aberto, após 15 anos presa. No regime aberto, os condenados cumprem a pena fora da prisão, mas precisam obedecer a condições determinadas pela Justiça. No caso de Alexandre, entre as regras estavam permanecer em casa durante o período noturno, comprovar ocupação lícita e não mudar de residência ou comarca sem autorização judicial. Pena em liberdade: Entenda como funciona o 'regime aberto' que beneficiou Nardoni, Jatobá, Richthofen e Matsunaga. Foto 1: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo/Arquivo | Foto 2: Luiza Veneziani/g1| Foto 3: Luara Leimig/TV Vanguarda | Foto 4: Wilson Araújo/ TV Vanguarda Por que Tremembé ficou conhecido como ‘presídio dos famosos’? O apelido não é oficial e surgiu por causa do perfil dos presos enviados para a P2. A unidade passou a concentrar condenados envolvidos em crimes de grande repercussão nacional, mantendo perfis considerados semelhantes separados de outros detentos. Entre os nomes que passaram pelo local estão Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos pais; Daniel e Cristian Cravinhos, condenados pelo mesmo caso; e Elize Matsunaga, condenada pela morte do marido. A presença desses presos fez com que a cidade de Tremembé ganhasse projeção nacional e a P2 passasse a ser chamada de “presídio dos famosos”. Em agosto de 2025, o governo paulista anunciou a mudança no perfil da P2. A unidade deixaria de receber condenados de grande repercussão e passaria a abrigar exclusivamente presos do semiaberto. Os detentos seriam transferidos para outras unidades, principalmente para a P2 de Potim, a cerca de 34 quilômetros de Tremembé. Com a reorganização, Potim passou a ser apontada como o novo endereço dos presos que antes eram concentrados em Tremembé. O Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou que foi comunicado sobre a mudança e informou que a Secretaria da Administração Penitenciária tem autonomia para realizar transferências entre as unidades. Caso Nardoni: 15 anos após o crime, como estão os condenados pela morte da menina Isabella Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo/Arquivo e Luiza Veneziani/g1/Arquivo Recurso pede volta ao regime fechado O STJ começou nesta quinta-feira (27) a analisar um recurso apresentado pela Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ que pede que Nardoni e Jatobá voltem ao regime fechado. A entidade afirma que os dois estariam descumprindo condições impostas pela Justiça para permanecer no regime aberto. Entre as alegações estão circulação em horários supostamente incompatíveis com as regras, falta de comprovação de rotina regular de trabalho e dúvidas sobre os endereços informados. A associação afirma ainda ter reunido mais de 2 mil assinaturas de moradores pedindo a volta do casal à prisão. A Quinta Turma deve concluir a análise virtual até 2 de setembro. Até lá, os dois permanecem no regime aberto. As defesas de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá ainda não haviam se manifestado sobre as acusações até a publicação da reportagem. Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, sempre negaram o crime, mas foram condenados Reprodução/Arquivo/TV Globo Isabella Nardoni Reprodução/TV Globo Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina