Vagas de concurso anunciado para a Polícia Civil serão para o interior do Acre, diz novo delegado-geral
Novo delegado-geral, Pedro Buzolin fala de ações para combate ao crime no Acre O nome de Pedro Paulo Buzolin foi confirmado no dia 8 de abril para a direção...
Novo delegado-geral, Pedro Buzolin fala de ações para combate ao crime no Acre O nome de Pedro Paulo Buzolin foi confirmado no dia 8 de abril para a direção da Polícia Civil do Acre, substituindo José Henrique Maciel. Em entrevista à Rede Amazônica, ele falou sobre os principais desafios e as estratégias para sua gestão. Buzolin ocupava a coordenação da Divisão Especializada em Investigação Criminal (Deic). Segundo o governo, ele é delegado há quase duas décadas e já foi diretor de Inteligência e Diretor de Polícia da Capital e do Interior. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp O gestor abordou o novo concurso com 139 vagas para a Polícia Civil, pela governadora Mailza Assis (PP) durante a cerimônia de posse dele. Segundo Buzolin, os novos profissionais que serão contratados por meio do certame serão aproveitados no interior do estado, especialmente nos municípios que não possuem delegados próprios, como Assis Brasil e Manoel Urbano. "A governadora Mailza Assis assinou a autorização para a realização do concurso, com 139 vagas, as quais, provavelmente, serão destinadas todas ao interior do estado, tendo em vista que existe uma demanda imensa das nossas delegacias dos municípios no interior. Então, essas 139 vagas, provavelmente, essas pessoas que tiverem a felicidade de serem aprovadas, serão lotadas no interior do estado", disse à apresentadora Quésia Melo. Ainda segundo ele, no município de Brasiléia, na regional do Alto Acre, a delegacia ainda não conseguiu se recuperar dos estragos da maior enchente já registrada, em janeiro de 2024, e que, por isso, as equipes foram deslocadas para Epitaciolândia. LEIA MAIS Gestores deixam cargos para concorrer às eleições de 2026 no Acre; confira mudanças Secretário de Direitos Humanos de Rio Branco é exonerado; diretor assume pasta 'Busca pelo feminicídio zero': Nova secretária da Mulher pretende ampliar ações após recorde de casos no AC "Estamos construindo uma nova delegacia, o governo do estado já vem propiciando, e essa construção já está em estágio avançado. A gente pretende concluir e entregar essa obra ainda neste ano", informou. Ainda em relação ao incremento de esforços e pessoal, o novo delegado-geral disse que há a previsão da efetiva instalação do Núcleo de Pessoas Desaparecidas que, segundo ele, já existe, mas ainda não possui espaço oficial na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ele ressaltou que o núcleo acompanha o caso do desaparecimento da filha de Yara Paulino, assassinada a pauladas no ano passado após a divulgação de um boato de que ela havia matado a criança. A menina não foi encontrada desde então. "Não é uma situação fácil, tendo em vista que nós tomamos ciência do fato muito tempo após ele ter ocorrido. Então isso prejudicou o trabalho de busca, de apuração das informações. De toda forma, nós fomos tomar ciência do fato já com o homicídio da Iara. Então, há dias a criança já estava desaparecida. Então, isso dificultou muito o nosso trabalho", comentou. A entrevista abordou ainda a experiência dele no combate ao narcotráfico. Segundo Buzolin, as operações estão sendo intensificadas por meio da entrega de equipamentos e veículos às delegacias. O delegado também enfatizou a necessidade de maior atenção à regional do Vale do Juruá. "Ali é uma das maiores rotas do tráfico do país e com certeza iremos incrementar diversas operações de combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado", resumiu. Pedro Paulo Buzolin, delegado-geral da Polícia Civil do Acre Arquivo pessoal Cidade do Povo e Segundo Distrito Outro questionamento feito ao delegado foi sobre a realidade do conjunto habitacional Cidade do Povo, no Segundo Distrito, que possui altos índices de violência. Um exemplo foi o caso de Francisco das Chagas Correia da Silva, 46 anos, executado a tiros dentro de uma igreja no conjunto no último dia 10. O gestor informou que será feita uma análise na delegacia do conjunto e na da segunda regional, que também fica naquela região. "Mas isto também passa pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Decco), vez que a grande maioria, ou quase 100% desses homicídios são praticados em decorrência de envolvimento com organizações criminosas. Então, este fortalecimento à delegacia terá como reflexo também a redução dos homicídios ali na segunda regional e na Cidade do Povo", explicou. Comandante anterior teve trajetória conturbada Antecessor a Buzolin, José Henrique Maciel teve a trajetória marcada por polêmicas no cargo de delegado-geral. Em julho de 2020, ele foi exonerado durante uma investigação do Ministério Público do Acre (MP-AC) sobre suposto esquema de “rachadinha”. Ele retornou ao cargo em 2022, e permaneceu desde então. Mas as polêmicas não pararam por aí. Em outubro de 2023, ele foi alvo de denúncias de assédio, perseguição e tráfico de influência. A deputada Michelle Melo (PDT) apresentou, durante sessão na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), documentos que mostram o pagamento de R$ 211 mil solicitados de maneira indevida por Maciel. Ele negou. Conforme os relatos apresentados pela parlamentar, em 2018, quando ainda não era delegado-geral, Maciel redigiu uma petição inicial para receber por 13 dias de férias das quais ele não usufruiu. Quando a Justiça retornou a solicitação, Maciel informou que desejava desistir da ação. Em 2020, ainda conforme a denúncia, ele conseguiu um acordo extrajudicial com a Procuradoria Geral do Estado (PGE-AC) para receber a quantia. De acordo com Michelle, essa movimentação mostra que o delegado quis “furar a fila” dos precatórios. Maciel foi investigado em setembro do ano passado por uso indevido de veículo oficial após ser flagrado com uma caminhonete de uso institucional e se recusar a fazer o bafômetro durante abordagem da Polícia Militar, em Rio Branco. Ele não se manifestou sobre o caso. O Ministério Público (MP-AC) divulgou que iria apurar as possíveis irregularidades constatadas pelo Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) na abordagem. A apuração inclui a busca por imagens de câmeras de segurança e por testemunha. Segundo o auto de infração de trânsito ao qual o g1 teve acesso, o delegado estava com uma caminhonete fruto de apreensão e cedida temporariamente para uso da polícia. Ele se recusou a fazer o teste para detectar possível consumo de álcool e foi autuado. Além disso, conforme o documento, o veículo estava sem o licenciamento e foi removido ao pátio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Reveja os telejornais do Acre